O primeiro dia do 19º CMEP – Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamento, realizado em 14/abril em São Paulo, celebrou os 55 anos da Abecs. Mais que uma retrospectiva, o evento apontou para o futuro da indústria, colocando a inteligência artificial, o comércio agêntico e a segurança no centro das discussões.
Na abertura, Ricardo de Barros Vieira, VP executivo da Abecs, destacou que a trajetória da Associação reflete o próprio sucesso da indústria de meios eletrônicos de pagamento no Brasil. Giancarlo Greco (Elo), presidente da Abecs, reforçou o impacto do setor na economia nacional.
Indicadores positivos. “Nossa indústria avança a passos largos e é cada vez mais influente. Para 2026, esperamos um crescimento entre 9,5% e 11,5% no volume transacionado, consolidando nosso mercado como um dos maiores do mundo”, afirmou Giancarlo Greco, presidente da Abecs e CEO da Elo. Hoje, os cartões representam 59% do consumo das famílias e participam de 38% do PIB brasileiro.
A conveniência continua sendo o grande motor de adesão dos consumidores. O pagamento por aproximação atingiu a marca de R$ 1,9 trilhão transacionados em 2025, enquanto o tap on phone cresceu 240% no último ano, transacionando cerca de R$ 100 bilhões e se provando uma alavanca para a evolução dos cartões.
IA e comércio agêntico: a revolução dos pagamentos
Um dos temas mais debatidos do dia foi o comércio agêntico.
Na visão de Romina Seltzer (Visa), a próxima geração de consumidores será impulsionada por assistentes de IA, que executarão compras de forma autônoma baseada em limites e definições do usuário.
Esse novo cenário pautou o painel que reuniu Giancarlo Greco (Elo), Marcelo Tangioni (Mastercard) e Rodrigo Cury (Visa), “IAs no ecossistema de meios eletrônicos de pagamento: desafios e oportunidades”. Cury destacou o momento de inflexão com a inteligência artificial generativa e as negociações machine to machine (M2M), nas quais agentes de compradores e de vendedores negociarão entre si. Tangioni, por sua vez, chamou a atenção para o alicerce dessa tecnologia, a base de dados, e revelou que com o uso de IA generativa a eficiência das ferramentas de prevenção à fraude da empresa subiu mais de 300%.
Aprofundando o debate sobre mudança de comportamento em consumo, Eduardo Merighi (Elo) falou sobre a “Era do Concierge Autônomo”, na qual o reconhecimento da intenção de compra ganha profundidade. Já Eduardo Arnoni (Mastercard) ressaltou que, com a aceleração de agentes de IA realizando compras, a indústria de pagamentos precisará adaptar rapidamente seus protocolos, migrando do tradicional know your customer (KYC) para o “know your agent”.
Confira um pouco do que esteve em pauta no primeiro dia de 19º CMEP
Panorama econômico, tokenização e o B2B
O cenário macroeconômico também teve destaque no primeiro dia de 19o CMEP. Ana Paula Vescovi (Santander) traçou um panorama da reconfiguração global, destacando as vantagens competitivas do Brasil no agronegócio e na transição energética. Apesar da atratividade para capitais estrangeiros, o Brasil, segundo Vescovi, enfrenta desafios como a pressão inflacionária e a expectativa de que a taxa Selic alcance os 12%.
Olhando para as novas fronteiras, Michael Abbott (Accenture) cravou que as stablecoins estão se tornando a “nova conta corrente global” e que o Brasil caminha para ser um hub institucional de criptoativos, com a tokenização reestruturando as fundações dos serviços bancários.
Fechando as perspectivas de expansão, André Mello (Bain & Company) alertou que, embora o crescimento seja saudável, o mercado tradicional de cartões se aproxima da saturação. Para continuar crescendo, a indústria precisará explorar o mercado B2B, um segmento com potencial de R$ 11 trilhões, e abraçar as stablecoins e a segurança cibernética como propostas de valor definitivas para a nova economia.
Por Panorama