Capilaridade, segurança e inovação

O Papel das credenciadoras na inovação do pagamento

12/12/2025

A simplicidade de fazer uma transação com cartão, presencialmente ou online, é parte do cotidiano – e, por isso, pode parecer natural, mas é fruto de um trabalho incessante e de um investimento massivo da indústria de meios eletrônicos de pagamento, tendo as credenciadoras como agente central. 

Desde 2010, quando o mercado brasileiro de credenciamento deixou de ser operado por apenas duas empresas, diversas adquirentes surgiram, intensificando a competitividade no setor, passando a atender regiões do País e nichos do varejo até então sub-atendidos e impulsionando a inovação na captura do pagamento com cartão e nos serviços oferecidos aos estabelecimentos comerciais. 

Por meio de entrevistas com executivos das principais credenciadoras em operação no Brasil, a reportagem especial em vídeo “O Papel das credenciadoras na inovação do pagamento”, produzida por Panorama Abecs, mostra como as adquirentes revolucionaram o modo como o brasileiro faz e recebe pagamentos com cartão. 

Assista à matéria em vídeo “O Papel das credenciadoras na inovação do pagamento” na íntegra

Uma jornada de inovação: do papel ao invisível

Dos primeiros terminais de captura de transações com cartão, que funcionavam manualmente com o auxílio de papel-carbono, aos pagamentos invisíveis, que o consumidor efetua ao pedir um carro por aplicativo, a jornada de inovação dos pagamentos eletrônicos é ininterrupta. E passa por marcos importantes, como a adoção da tarja magnética, a leitura do chip e o pagamento por aproximação, hoje responsável por mais de 70% das transações presenciais com cartão no País, além da viabilização de pagamentos online. 

“Evoluímos das maquininhas para o digital e hoje falamos sobre a omnicanalidade”, aponta Wagner Silva, superintendente de Tecnologia e Produtos da Cielo, realçando que a jornada de inovação não parou e que conectar varejistas e consumidores da forma mais conveniente para ambos – seja no universo físico, digital ou em um fluxo ininterrupto entre o on e o off-line –, segue norteando o trabalho das credenciadoras. 

Competitividade e inovação

A intensa competitividade no segmento de credenciamento é a força motriz por trás de tanta transformação. Enquanto o mercado caminhou, em pouco mais de uma década, de duas para centenas de adquirentes, a inovação se tornou moeda de diferenciação e de conquista de espaço no mercado. 

“Inovação e competição são duas palavras que caracterizam o segmento de adquirência no Brasil”, resume Alexandre Magnani, CEO do PagBank. E ambas geraram benefícios diretos para lojistas e consumidores: com mais opções, os custos para os estabelecimentos comerciais foram barateados e o consumidor teve acesso a serviços cada vez mais digitais, seguros e convenientes. 

Parceira do varejista, da velocidade no caixa à gestão do negócio

“A tecnologia embarcada nos cartões é muito importante. Se o lojista não tem um bom parceiro na captura dos pagamentos, com um sistema seguro e que aprove rápido, isso impacta na operação”, afirma Jorge Gonçalves Filho, presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo. 

Mas, para o varejista, a aceitação de cartões traz benefícios que vão muito além do pagamento em si. Além de automatizar o fluxo de pagamento e eliminar o risco de inadimplência, a aceitação de cartão é uma via para que o estabelecimento comercial tenha acesso a uma série de ferramentas que o auxiliam na gestão do negócio, que incluem softwares específicos, acesso a serviços financeiros (como crédito por exemplo) e inteligência de dados que apoia o estabelecimento a aumentar as vendas.

“A competição das operadoras também tem ajudado o lojista, porque elas competem por eficiência — e quem lucra é o lojista e o consumidor”, aponta Lucia Hamaguchi, proprietária da Zarif Tapetes, na zona Oeste da capital paulista.  

Inclusão financeira e acesso democratizado

Outro marco fundamental da trajetória das credenciadoras no Brasil é a inclusão financeira que o segmento provocou a uma camada da população, em especial o pequeno varejista. “Imagine um vendedor de frutas: ele comercializa seus produtos durante o dia, vai ao Ceasa às 4h da manhã do outro dia, e o que ele vendeu no cartão está na conta dele”, exemplifica Pedro Coutinho, CEO do SafraPay, apontando como a expansão do uso de meios eletrônicos de pagamento trouxe parte importante da população para o sistema financeiro formal. 

Atualmente, soluções como o tap on phone, no varejo físico, e o link de pagamento, no online, impulsionam a aceitação de pagamentos com cartão por parte de varejistas cujo porte não condiz com uma automação de caixa ou um checkout tradicional de e-commerce. “Hoje os microempreendedores têm acesso ao que antes somente o grande varejista tinha”, diz Daniel Flores, head global de Produtos da Getnet. 

E, com a pluralidade de empresas atuando no mercado, “se consegue trazer um lojista para o ecossistema de pagamentos eletrônicos em menos de três minutos. Essa democratização foi liderada pelas credenciadoras”, ressalta Mariana Lázaro, CFO da SumUp.

O futuro do pagamento

Aumentar a capilaridade de aceitação e a penetração dos pagamentos com cartão requer, também, investimentos parrudos em segurança – afinal, só se consegue avançar em inovações tendo como base uma transação protegida. “Tecnologias como a tokenização, o 3DS 2.0 e o Click to Pay tiram a fricção do pagamento”, lembra Rodrigo Bizzotto, superintendente de Produtos da Rede, frisando que a segurança e a experiência de uso caminham juntas quando se fala em pagamentos digitais. 

Essa é uma transformação importante no comportamento do consumidor, cada vez mais acostumado a transações rápidas e confiáveis: ele demanda uma experiência de pagamento fluida e segura do varejo como um todo. “As credenciadoras estão ao lado do varejista que está preocupado em se preparar para essa nova jornada digital”, afirma Thais Fischberg, presidente da Adyen para América Latina. 

Enquanto a sociedade caminha para pagamentos eletrônicos mais seguros, fluidos e integrados ao dia a dia, o mercado de credenciamento segue investindo, como vem fazendo nas últimas décadas, na capilaridade dos pagamentos digitais, que alcançam cada vez mais usuários em todo o País, em infraestrutura tecnológica e inteligência de dados, que impulsionam o varejo a melhorar sua performance, e em tornar o pagamento uma parte integrada à jornada de compra, digitalizando as transações e conectando compradores e vendedoras da forma mais eficiente possível. 

por Panorama Abecs