Com a abertura do mercado de benefícios, as transações feitas com vale-alimentação, refeição e cultura por meio de cartões embandeirados deverão ser processadas por um trilho transacional exclusivo. Chamada de trilho voucher, essa nova estrutura foi desenvolvida para dar mais transparência, eficiência técnica e segurança jurídica ao segmento – e irá aprimorar a operação de arranjos abertos no mercado de benefícios, fortalecendo a concorrência e impulsionando a inovação.

Esse novo trilho transacional foi construído pela indústria de meios eletrônicos de pagamento e consolida o novo cenário do mercado de benefícios: o da participação dos arranjos abertos.
Contexto: mercado aberto de benefícios. Desde que a Lei 14.442 entrou em vigor, em 2022, as bandeiras de cartão (ou arranjos abertos) ficaram autorizadas a participar do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) com os produtos vale-alimentação, vale-refeição e vale-cultura. Novos players entraram, então, no segmento, demandando segurança legal e mais eficiência operacional.
Desde então, a indústria de meios eletrônicos de pagamento se reuniu, tendo a Abecs como porta-voz, e vem trabalhando na construção desse trilho exclusivo para processar transações de benefícios de arranjos abertos, para aprimorar o desempenho técnico e a estabilidade jurídica nesse novo contexto de mercado.
“Estamos diante de uma transformação estrutural, que não apenas aumenta a competitividade no setor, mas também promove mais clareza e segurança nas transações”, destaca Ana Karina Scarlato, vice-presidente de Produtos na Mastercard.
Já em utilização por algumas credenciadoras, o trilho voucher passa a ser de uso obrigatório para transações de benefícios de cartões embandeirados a partir de 3 de novembro de 2025.
Benefícios para todos os elos da cadeia
Para os emissores, o trilho voucher permite maior controle das operações, rastreabilidade detalhada e mais dados para análise e desenvolvimento de novos produtos, impulsionando assim a inovação.
As credenciadoras, tendo agora “voucher” em seu portfólio de produtos, se beneficiam de uma integração simplificada e da redução de inconsistências nos fluxos de pagamento.
Ganhos “na ponta”: varejistas e consumidores também se beneficiam. A nova estrutura traz vantagens importantes também para estabelecimentos comerciais, que passam a contar com transações padronizadas e transparentes, além de ter a conciliação financeira e o cumprimento das normas do PAT facilitados. Para os consumidores, a expectativa é de ampliação da aceitação, em estabelecimentos que hoje ainda não são credenciados para cartões de benefícios, e de melhoria na experiência dos pagamentos, que tendem a ficar cada vez mais digitais e consoantes com os demais instrumentos eletrônicos de pagamento.
“A interoperabilidade e a transparência proporcionadas pelo novo trilho aumentam a confiança de todos os agentes envolvidos e estimulam a inovação no setor”, comenta Gabriela Jachinoski, responsável por Produtos de Benefícios na Elo.
Como se preparar para o trilho voucher
Até o dia 2/novembro, todos os agentes da cadeia de pagamento envolvidos com uma transação de voucher de cartão embandeirado – emissor, credenciador e estabelecimento comercial – devem estar prontos para o uso do novo trilho voucher.
“Em linhas gerais, o que é preciso fazer é ativar tecnicamente e comercialmente o novo trilho no ponto de venda. Mas o modo como isso acontece pode variar a depender da solução de captura utilizada”, esclarece Jachinoski.
Os emissores precisam estar com seus cartões atualizados para a nova função, além de comunicar o portador quanto à mudança: quanto melhor o consumidor for instruído de qual função utilizar para cada tipo de saldo, menor tende a ser a fricção na experiência de uso.
As credenciadoras precisam habilitar comercialmente o novo produto e fazer as atualizações técnicas necessárias das soluções de captura de seus clientes, os estabelecimentos comerciais. Nos estabelecimentos que utilizam POS, a atualização depende somente da credenciadora e do varejo. Já para soluções de TEF e de e-commerce, há outros entes envolvidos: as software houses e as automações de venda no caso de TEF; e os gateways e subadquirentes no caso de e-commerce. Nesses casos, o processo de atualização deve ser feito por toda a cadeia envolvida na solução. “Para POS, a relação é mais simples. No caso de TEF e e-commerce, é necessário um esforço coordenado”, diz a executiva.
Os estabelecimentos comerciais precisam garantir que o trilho voucher está disponível em seu negócio. Isso requer acionar a credenciadora parceira, solicitar a habilitação comercial (se o terminal utilizado for TEF, toda a cadeia envolvida deve ser acionada para que essa habilitação se efetive) e, então, ativar seu ponto de venda com o novo produto voucher.
A parte educacional com os estabelecimentos comerciais é crucial. Isso porque o varejo sempre aceitou transações de vale-alimentação, vale-refeição e vale-cultura no crédito e, a partir de 3/nov, essas transações precisarão passar na nova função voucher, caso contrário serão negadas. “É responsabilidade de toda a cadeia de aceitação dar essa orientação aos estabelecimentos comerciais, tanto para que o produto esteja habilitado como para que o varejista saiba utilizá-lo evitando impactos negativos, como fricção no pagamento, filas e transações negadas”, diz Gabriela Jachinoski, responsável por Produtos de Benefícios na Elo.
Um marco para os meios eletrônicos de pagamento
A nova estrutura estimula a entrada de novos players, mais eficiência operacional e inovação em produtos relacionados ao bem-estar e qualidade de vida do trabalhador. Além disso, o modelo pode servir de referência para outros segmentos que demandam regulamentação específica e tratamento técnico diferenciado no ambiente transacional.
O que vem pela frente
Com a implementação técnica e a obrigatoriedade do uso do trilho voucher – a partir de 3 de novembro de 2025 –, o setor de meios eletrônicos de pagamento projeta um crescimento contínuo do mercado de benefícios, com impacto direto na digitalização de serviços, ampliação de parcerias entre empresas e valorização da experiência do usuário final.
No curto prazo, a iniciativa estimula a adaptação de todos os sistemas e terminais ao novo trilho; no médio, o surgimento de novos produtos; e, no longo prazo, a consolidação de um ecossistema mais aberto, competitivo e sustentável. O avanço dá mais solidez ao sistema, amplia a transparência e, sobretudo, garante que os benefícios cheguem com mais eficiência ao trabalhador brasileiro.
por Panorama