Sinônimo de praticidade e segurança

A fórmula do sucesso do pagamento por aproximação

07/08/2025

No primeiro trimestre de 2025, 69,6% de todas as transações presenciais com cartões foram realizadas com a tecnologia NFC (Near Field Communication) – uma participação que deve ultrapassar a marca dos 70% ainda no primeiro semestre de 2025. 

A adoção dessa tecnologia pelos brasileiros é ainda mais expressiva quando se considera o recorte histórico: em 2021, menos de um quarto das compras presenciais com cartão eram feitas por aproximação, segundo dados da Abecs, associação que representa as empresas de cartão. Hoje, a modalidade é predominante.

A opção pelo pagamento por aproximação é explicada, principalmente, por dois fatores: praticidade e segurança. “O pagamento por aproximação é um avanço do setor, trazendo ainda mais conveniência e segurança para as transações com cartão. Soluções eficientes como essa sempre têm espaço para crescer”, destaca Giancarlo Greco, CEO da Elo e presidente da Abecs.

O sucesso da modalidade é incentivado, ainda, pela diversidade de dispositivos aptos a realizarem uma transação sem contato. Embora o cartão físico ainda seja o mais usado (76% das transações), o smartphone tem participação importante, utilizado por um terço dos consumidores que pagam por aproximação, seguido dos relógios inteligentes (com 2%).

Além de prática, a tecnologia é segura. O pagamento por aproximação segue os mesmos padrões de segurança exigidos nos demais pagamentos com cartão, e sua adoção é amplamente consolidada em mercados ao redor do mundo como a Austrália e o Reino Unido, em que cerca de 90% das transações com cartão são sem contato. 

A segurança dos pagamentos por aproximação

A indústria brasileira de meios eletrônicos de pagamento está entre as mais avançadas do mundo em proteção contra fraudes. Empresas de cartão investem continuamente em tecnologias e protocolos integrados, que atuam de forma sobreposta — como um verdadeiro arsenal de segurança

Uma das principais ferramentas é o chip com criptografia dinâmica, presente tanto nos pagamentos tradicionais quanto por aproximação. Ele garante que os dados trafeguem de forma codificada e única, protegendo as informações a cada transação. “Os dados de uma transação nunca são exatamente iguais aos de outra. Informações como valor, estabelecimento, data e hora mudam, entregando dados precisos ao emissor”, complementa Lori Grandin, head Latam de Risco e Prevenção a Fraudes da SumUp.

Nesta reportagem especial de Panorama Abecs, executivos do mercado de cartões explicam alguns dos principais mecanismos de proteção desenvolvidos para garantir a segurança das transações, incluindo os que protegem as compras por aproximação

No caso da aproximação, há ainda camadas adicionais de proteção: a leitura só ocorre a uma distância muito curta entre cartão (ou outro dispositivo) e o terminal de captura, e a operação precisa ser realizada em tempo específico. Além disso, existe um monitoramento inteligente feito pelos emissores, que analisam padrões de consumo de cada cliente. Transações que destoam do comportamento habitual — por valor, local, frequência ou horário — podem exigir autenticação por senha ou ser bloqueadas, independentemente do valor.

Essas transações são sem senha, mas não sem autenticação: enquanto um pagamento por aproximação é processado, uma acurada análise de risco está em ação. “O sistema avalia cada transação em tempo real e pode solicitar a senha mesmo em valores baixos, se houver qualquer suspeita ou inconsistência”, reforça Ulisses Okamoto, superintendente de Prevenção a Fraudes do Itaú.

Com essa combinação de inteligência e tecnologias integradas, o pagamento por aproximação oferece ao consumidor agilidade com segurança — um equilíbrio essencial para o sucesso da modalidade.

Praticidade e comportamento do consumidor

A digitalização do consumo no Brasil tem promovido mudanças na forma como as pessoas pagam — e o pagamento por aproximação acompanha essa evolução. À medida que os consumidores buscam experiências de compra mais simples, rápidas e com menos etapas, cresce o espaço para soluções que reduzem fricções, como a inserção do cartão na maquininha e a digitação da senha. 

A rapidez é um diferencial decisivo em contextos de grande rotatividade. Supermercados, farmácias, postos de gasolina, pedágios e transporte público são ambientes em que o pagamento por aproximação otimiza o fluxo e contribui para filas mais ágeis, beneficiando consumidores e lojistas.

Essa busca por praticidade também é observada no uso de carteiras digitais, acessadas via smartphone e smartwatches. Esses dispositivos têm se tornado “extensões” da carteira física, substituindo o cartão na hora do pagamento e promovendo uma nova lógica de consumo — mais conectada, prática e imediata. Além dos pontos de venda tradicionais, o pagamento por aproximação também vem ganhando espaço em novos usos, como pedágios e transporte público

As transações contactless ganham espaço em cada vez mais praças de pedágio do País nos últimos anos

Assim, do ponto de vista da mobilidade, do acesso e da democratização dos meios eletrônicos de pagamento, o pagamento por aproximação deixa de ser apenas uma conveniência: torna-se uma alavanca para novos modelos de negócio e para a inclusão digital de pequenos comerciantes.

Confira depoimento sobre o tema com Luiz Prateleira, especialista de Negócios e Produtos de Aceitação na Sicredi e coordenador do grupo de trabalho Tap on Phone na Abecs

Democratização do acesso: a proposta do Pix no trilho dos cartões 

Tal qual o pagamento por aproximação, o Pix é uma modalidade de transferência de valores que caiu no gosto nacional, com crescimento exponencial e uma intensa agenda de lançamento de novas soluções, como o Pix por aproximação.  

Por enquanto, para realizar esse tipo de transação, é preciso utilizar uma carteira digital – portanto, um smartphone com NFC, recurso nem sempre acessível por grande parte da população. Para democratizar o acesso a essa solução financeira, a indústria de cartões, tendo a Abecs como porta-voz, apresentou ao Banco Central uma proposta de inclusão do Pix por aproximação no trilho dos cartões, o que tornaria possível que o consumidor utilizasse seu cartão físico para fazer um Pix por aproximação. 

Chamada de “Pix para todos”, a proposta contribui com a adoção do Pix por aproximação, aportando à solução ativos essenciais da indústria de cartões: a rapidez das transações, a ampla aceitação por todo o comércio e as ferramentas de segurança que protegem cada pagamento. A proposta está em avaliação pelo órgão regulador.

Acompanhe mais detalhes sobre a iniciativa em painel apresentado no 18º CMEP

Essa é mais uma possibilidade de integração e expansão das transações por aproximação, solução que reflete a capacidade de inovação constante do setor de meios eletrônicos de pagamento e, principalmente, a sintonia desse setor com a digitalização dos hábitos do brasileiro e com a busca constante do consumidor por mais praticidade e segurança.