O 14º Fórum CardMonitor de Inteligência de Mercado, realizado em 3 de março de 2026 em São Paulo com o apoio da Abecs, reuniu lideranças dos meios eletrônicos de pagamento e do mercado de benefícios para debater novas dinâmicas de consumo, tecnologias, geração de valor e outras atualidades dos pagamentos, como o open finance e as novas regras que regem o Programa de Alimentação do Trabalhador.

Crescimento e resiliência: um panorama para o Brasil em 2026
No painel de abertura, Giancarlo Greco, presidente da Abecs e CEO da Elo, destacou o crescimento de 10,2% da indústria de cartões em 2025 e ressaltou modalidades com avanço importante, como o pagamento por aproximação e o tap on phone, além de setores econômicos em que o cartão começa a ser cada vez mais utilizado, como os serviços médicos.
“Hoje quase 75% das transações com cartão presente no Brasil já são por aproximação, e o tap on phone tem se provado uma ferramenta essencial de inclusão, inclusive para profissionais liberais”, afirmou Giancarlo Greco, presidente da Abecs e CEO da Elo, durante o 14º Fórum CardMonitor de Inteligência de Mercado
No debate macroeconômico, o cientista político Fernando Schuler ressaltou questões como a baixa produtividade brasileira, a necessidade de reformas estruturais no País e o período de instabilidade que deve marcar 2026, dadas as eleições.
“Enquanto instabilidades econômicas têm impacto negativo no setor de cartões, um contraponto é o fim do imposto de renda para salários até R$ 5 mil, que aumenta o poder de compra da população e gera uma expectativa positiva para o setor de pagamentos”, opinou Greco.
Alta renda: a evolução da proposta de valor
Para falar sobre as novas propostas de valor para conquistar o público de altíssima renda, o evento reuniu executivos do Bradesco, Caixa, Mastercard e Visa, que ressaltaram que experiências e exclusividade têm moldado a oferta de seus novos produtos.
“Nosso foco hoje é em gastronomia, viagem e entretenimento. Esse público valoriza um programa de recompensas atrelado ao que ele realmente consome no seu dia a dia”, afirmou Marcelo Tangioni, presidente da Mastercard Brasil. Rodrigo Cury, country manager da Visa do Brasil, por sua vez, ressaltou a agilidade como diferencial competitivo: “O cliente de alta renda é exigente e nosso desafio é atendê-lo de forma rápida e precisa”. Para Marcio Recalde, diretor-presidente da Caixa Cartões, “o desafio é se manter sempre competitivo, ainda mais neste nicho em que a Caixa não figura entre as primeiras opções para a alta renda”.
Trazendo a visão do consumidor, a empresária Carolina Dostal pontuou que a usabilidade digital – como por exemplo a facilidade em encontrar informações no aplicativo – pode ser determinante na fidelização do portador de alta renda a um cartão.
IA e open finance: da interface para a interação
A tecnologia como ferramenta de fidelização também esteve em debate, em painel que reuniu temas atuais como Pix parcelado, open finance, inteligência artificial e assimetria regulatória.
A IA foi apontada como o divisor de águas para a hiperpersonalização, palavra-chave quando se fala em experiência do cliente. “Estamos vivendo a mudança do mundo da interface para o mundo da interação. Em poucos anos, teremos agentes de IA que farão muito pelo cliente de forma automatizada e personalizada”, afirmou Gustavo Santos, diretor de Cards e Everyday Banking do Santander, para falar sobre a revolução no varejo que será causada pelo comércio via agentes de IA.
A clareza para o consumidor, em especial quanto à questão dos juros, esteve no foco do debate sobre o Pix parcelado, enquanto o open finance ainda é visto como um processo importante, mas em fase de amadurecimento e restrito a poucos casos de uso.
Cartões de Benefícios: modernização e livre escolha
O painel de encerramento do fórum debateu as normas que regem o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) e como a legislação vem moldando um novo cenário do mercado de benefícios.
Com representantes do modelo de arranjo fechado e do arranjo aberto, o painel abordou como o Decreto 12.712/2025 trouxe inovação jurídica e validação à inovação que já vem acontecendo no mercado. O ineditismo de uma iniciativa como o trilho voucher, a forte adesão por parte do mercado a essa infraestrutura tecnológica e o tamanho total do mercado de benefícios, com espaço para players com diferentes modelos de negócio, também estiveram em debate.
Por Panorama