Retrospectiva 2025

A Abecs em 2025: retrospectiva dos projetos que impulsionaram eficiência, inovação e segurança nos meios eletrônicos de pagamento

21/01/2026

2025 foi um ano de aprofundamento da atuação da Abecs como representante técnica e institucional do ecossistema de meios eletrônicos de pagamento no Brasil. Ao longo do ano, a Associação fortaleceu sua atuação na articulação entre bandeiras, emissores, credenciadores, subcredenciadores, empresas de tecnologia e órgãos reguladores, promovendo avanços estruturais em frentes estratégicas para o setor, que em 2025 consolidou ainda mais sua participação no consumo das famílias brasileiras, refletindo a crescente digitalização da economia e a importância do volume transacionado via cartões para o PIB.

Projetos estruturantes ganharam escala, amadureceram do ponto de vista técnico e avançaram em temas críticos como segurança dos pagamentos, padronização de processos operacionais, inovação tecnológica e ampliação do uso dos cartões de débito e crédito em diferentes jornadas, tanto no ambiente físico como nos pagamentos digitais.

A seguir, apresentamos os principais projetos conduzidos pela Abecs em 2025, destacando os avanços ao longo do ano e seus próximos passos.

1. Projeto PAT (trilho voucher)
O Projeto PAT tem como objetivo principal a implementação de um trilho específico para a captura, autorização, liquidação, conciliação e interoperabilidade de transações com saldos do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), denominado trilho voucher. Com isso, o projeto busca promover conformidade regulatória, padronização técnica e operacional, transparência e rastreabilidade das transações, além de estimular a concorrência e a expansão do mercado de benefícios.  

Trabalho realizado em 2025
Ao longo do ano, a Abecs atuou de forma técnica e institucional no acompanhamento das evoluções regulatórias do PAT. O foco esteve voltado ao desenvolvimento e implantação do trilho voucher, à padronização técnica e operacional para funcionamento desse trilho nos terminais de captura de pagamentos, ao suporte ao período de coexistência entre o trilho crédito e o trilho voucher, e ao engajamento e coordenação da indústria, inclusive com comunicação voltada à orientação e capacitação para uso correto do trilho. Ainda em 2025, a Abecspublicou o normativo no 33, que dispõe sobre os padrões mínimos para a implantação interoperável do trilho voucher em arranjos abertos. 

Próximos passos
Para 2026, a agenda do PAT seguirá como prioridade, com foco no acompanhamento da consolidação do trilho voucher no mercado, na mitigação de riscos operacionais e na preservação da eficiência, da segurança e da inovação no uso dos cartões no âmbito do PAT.

2. Click to Pay (C2P)

Click to Pay é uma iniciativa multissetorial que reúne bandeiras, emissores, credenciadoras e provedores de tecnologia para simplificar a jornada de pagamento no e-commerce. A solução reduz a fricção no checkout através da tokenização dos dados de pagamento, garantindo que a experiência do usuário no digital seja tão fluida quanto o pagamento por aproximação (NFC) no mundo físico. 

Trabalho realizado em 2025

Em 2025, foi consistente a expansão do piloto iniciado no ano anterior. Ao longo do ano, foram realizadas reuniões semanais da Comissão Click to Pay, com a participação ativa de 26 associados, além da atuação coordenada de diferentes squads técnicos.

Esses grupos dedicaram-se à expansão do piloto para novos estabelecimentos, ao acompanhamento do pass-through de transações tokenizadas e ao aprimoramento contínuo da jornada de pagamento no checkout, considerando aspectos de usabilidade, autenticação e segurança.

Entre os principais avanços registrados em 2025, destacam-se:

● A ampliação gradual do número de comércios habilitados no piloto

● A evolução dos processos de tokenização e dos fluxos de autenticação

● O avanço da implementação do Click to Pay por credenciadores em seus canais e plataformas

● A elaboração de um manual técnico e de uma minuta operacional, com diretrizes claras para adoção da solução.

Até novembro de 2025, 31 estabelecimentos comerciais já estavam habilitados no piloto do Click to Pay, refletindo a maturidade técnica alcançada pelo projeto.

Próximos passos

Para 2026, o foco do projeto está na ampliação da capilaridade da solução no mercado (uma das ações será o push massivo enviado pelos emissores), com o escalonamento do piloto para novos estabelecimentos e a evolução no trilho de débito, impulsionando ainda mais o uso do cartão de débito no e-commerce. Para fortalecer a gestão e o controle do programa, o C2P passará a contar com acompanhamento por meio de indicadores de desempenho, com a implantação de novos indicadores de controle, segurança e prevenção à fraude. 

A expectativa dessas iniciativas é fortalecer o Click to Pay como um padrão de mercado para pagamentos online com cartão, contribuindo para jornadas mais seguras, fluidas e eficientes.

3. Projeto Débito Online (DSS)

O projeto Débito Online tem como objetivo ampliar e qualificar o uso do cartão de débito no comércio eletrônico, promovendo melhorias em aspectos como autenticação, gestão de fraude, conciliação e padronização dos fluxos de checkout.

Trabalho realizado em 2025

Ao longo de 2025, o foco esteve na manutenção e no aprimoramento contínuo do projeto. A atuação da Comissão Débito Online foi marcada pelo apoio de squads específicos dedicados às bandeiras e à gestão de fraude. Entre os principais avanços do ano, destacam-se:

● A criação de um calendário recorrente para atualização da tabela de MIDs

● A padronização de templates para indicação de novos estabelecimentos, análise de fraude e elaboração de planos de ação

● O monitoramento contínuo dos principais indicadores de fraude

● A entrada de novos estabelecimentos relevantes no programa ao longo do segundo semestre.

O projeto manteve sua evolução técnica e operacional, reforçando seu papel como instrumento de qualificação do cartão de débito no ambiente digital, com avanços contínuos ao longo de sua implementação.

Próximos passos

A agenda futura seguirá focada na expansão qualificada do programa, no aprofundamento da padronização dos checkouts e no fortalecimento das regras de segurança e autenticação, contribuindo para a ampliação sustentável do débito no e-commerce. Em 2026, o Débito Online contará, também, com acompanhamento por meio de indicadores de desempenho, com a implementação de novos indicadores de controle, prevenção e combate a fraudes, incluindo a mensuração de indícios de fraudes e de fraudes confirmadas. 

4. Fórum de Combate a Irregularidades e Fraudes

Em 2025, o Fórum consolidou-se como o pilar de segurança do ecossistema de pagamentos, garantindo a confiança necessária para que o Brasil continue sendo referência em meios eletrônicos de pagamento.

Trabalho realizado em 2025

O ano foi marcado por ações robustas de investigação, monitoramento e prevenção, com destaque para:

● Jornadas de Mystery Shopper voltadas à identificação de práticas como saque do limite do cartão e apostas irregulares

● A identificação de milhares de sites irregulares e empresas envolvidas em esquemas de fraude

● O compartilhamento estruturado de informações com autoridades como Banco Central, Polícia Federal e Ministério da Fazenda

● A recomendação de descredenciamento de estabelecimentos comerciais envolvidos em irregularidades.

Próximos passos

O Fórum seguirá fortalecendo as atividades de monitoramento, a cooperação entre os participantes da indústria e o diálogo institucional com autoridades, ampliando a efetividade do combate às fraudes no setor.

4.1. Sistema de Gestão Unificada de Fraudes (Watchlist)

Watchlist avançou de forma significativa em 2025 como ferramenta central para a comunicação estruturada de ameaças no mercado de pagamentos.

Trabalho realizado em 2025

O projeto evoluiu na mobilização dos associados, na definição de tipificações de fraude e na estruturação de manuais de reporte, assegurando maior qualidade, padronização e confiabilidade das informações compartilhadas.

Próximos passos

Com a implementação plena da Watchlist, a expectativa é viabilizar uma atuação ainda mais coordenada, preventiva e eficiente entre os participantes do ecossistema de pagamentos.

5. Comissão Especial de Supervisão e Auditoria e Selo de Conformidade Abecs

Em 2025, a Comissão Especial de Supervisão e Auditoria ampliou sua atuação técnica e deliberativa, fortalecendo os processos de auditoria, compliance e governança no setor.

Trabalho realizado em 2025

O destaque do ano foi a ampliação do escopo do Selo de Conformidade Abecs e o desenvolvimento do chamado Escopo Complementar, que padroniza e torna mais eficiente o processo de auditoria e certificação. O escopo ampliado passou a contemplar:

• Aspectos operacionais mínimos (Resolução Bacen 150)

• Prevenção a fraudes

• Continuidade de negócios

• PLD/FT

• Segurança da informação

• Processos de disputa e chargeback

• Requisitos mínimos e responsabilidades de emissores, credenciadores e subcredenciadores

• Participação nos arranjos de transferência

• Mitigação de riscos sistêmicos

O projeto-piloto do escopo complementar permitiu validar procedimentos, aprimorar critérios e consolidar práticas mais robustas para o mercado.

Atualmente, quatro consultorias estão homologadas para concessão do Selo de Conformidade Abecs: AML Outsourcing, Deloitte, Ernst & Young e PriceWaterhouse – PwC.

Próximos passos

O Comitê seguirá trabalhando no aprimoramento de métricas, processos e governança do Selo, visando ampliar sua adoção e fortalecer os padrões de conformidade do setor.

6. Comissão Garantias Técnico

A Comissão Garantias Técnico teve papel central nas discussões regulatórias relacionadas ao gerenciamento de riscos sistêmicos no setor de pagamentos.

Trabalho realizado em 2025

Os estudos conduzidos ao longo do ano culminaram na publicação da Resolução BCB nº 522, que alterou a Resolução nº 150 e incorporou as diretrizes debatidas durante a Consulta Pública nº 104/2024.

Próximos passos

O Comitê seguirá apoiando o setor por meio da elaboração de briefings técnicos e materiais de orientação para a adequada implementação da nova regulamentação.

7. Unificação do Merchant Category Code (MCC)

Cadastro Unificado de MCCs manteve evolução contínua ao longo de 2025, reforçando a padronização e a qualidade das informações do setor.

Trabalho realizado em 2025

Entre os principais avanços, destacam-se:

● Atualizações mensais automáticas da base

● Ampliação do acesso ao cadastro por subcredenciadoras

● Consolidação da lista de MCCs aplicável a CPFs

As iniciativas relacionadas Cadastro Unificado de MCC estão organizadas em dois normativos publicados pela Abecs: o normativo no 28, que dispõe sobre a criação do Cadastro Unificado de MCCs, e o normativo nº 29, que dispõe sobre a disponibilização da lista de MCCs atribuíveis a atividade comercial vinculada a CPFs.

Próximos passos

O projeto seguirá focado no aprimoramento da precisão dos dados e na eficiência dos processos de credenciamento, monitoramento e fiscalização.

8. Open Finance

Em 2025, a Abecs manteve sua representatividade no Banco Central pela cadeira 2.1, em parceria com a consultoria Accenture. Com isso, a Associação se manteve ativa no acompanhamento da agenda de open finance, com foco na mitigação de riscos e na preservação da competitividade do setor de cartões.

Além disso, a Abecs tem desempenhado papel ativo também na Associação de Open Finance, com assento no Conselho de Administração e suporte em discussões de governança, compartilhamento de dados de cartões e prevenção à fraude. Criada no início de 2025, a Associação de Open Finance pretende fortalecer a governança e a integração do ecossistema financeiro brasileiro, promovendo segurança e eficiência nos serviços digitais, além de inovação em pagamentos.

Trabalho realizado em 2025

A participação constante nos grupos de trabalho, a defesa do modelo de quatro partes e o suporte técnico aos associados marcaram a atuação da Associação ao longo do ano.

Próximos passos

A agenda seguirá orientada à adaptação do setor às evoluções do sistema financeiro aberto, com atenção especial aos impactos regulatórios e operacionais.

9. Transporte Público e Agenda Institucional

A Abecs avançou, em 2025, em agendas institucionais voltadas à expansão no uso dos cartões no transporte público e em serviços públicos associados, destacando benefícios e vantagens, como a otimização das regras de autorização e o fortalecimento da prevenção à fraude, com o consequente aumento da eficiência operacional e da segurança dos pagamentos. 

Trabalho realizado em 2025

Destacam-se as agendas com Senatran – Secretaria Nacional de Trânsito, Artesp – Agência de Transportes do Estado de São Paulo e governos locais, que resultaram na definição de pilares visando a centralização na arrecadação do pagamento de multas, transferências e débitos veiculares, bem como o desenvolvimento de modelos digitais mais seguros, potencializando a conveniência, segurança e modernidade que a aceitação de cartões traz ao sistema de transporte público, incentivando a expansão da tecnologia em novas linhas e modais.

Próximos passos

A Associação seguirá atuando para ampliar a aceitação de cartões no transporte público e apoiar a implementação de inovações em pagamentos e de soluções como o free flow em âmbito nacional.

10. Projeto 3DS e Tokenização

As iniciativas da Abecs relacionadas a autenticação via 3DS e tokenização de pagamentos foram unificadas no mesmo grupo de trabalho (GT), vinculado ao Fórum de Segurança e Prevenção a Fraudes. Os principais desafios do grupo seguem sendo: a expansão da implementação de soluções de autenticação e tokenização, o cumprimento dos roadmaps definidos para o projeto, a identificação de correções e otimizações, e a identificação de gargalos e consequente proposta de soluções.

Trabalho realizado em 2025

Em 2025, foi publicada a segunda edição do normativo nº 31, que dispõe sobre a disponibilização de documento técnico de padronização para a aplicação de autenticações via protocolo de autenticação dentro da versão 2.0 ou superior do protocolo global EMV 3DS e do “Framework de Autenticação”, com base no índice de fraudes de um estabelecimento comercial e tokens verificados para os casos de uso aplicados.

Próximos passos

O GT segue concentrado na aplicação e no acompanhamento da autorregulação do 3DS (pisos mínimos) e na alavancagem da tokenização a partir da promoção das funcionalidades dos mecanismos disponíveis.

Um setor mais preparado para os desafios do futuro

O andamento dos projetos de 2025 evidencia uma Abecs cada vez mais atuante quanto às transformações do ecossistema de pagamentos. Os avanços ao longo do ano estabelecem bases sólidas para enfrentar os desafios regulatórios, tecnológicos e de segurança que permanecem no horizonte, contribuindo para um mercado mais eficiente, seguro e sustentável.