Crescimento puxado pelo crédito

Pagamentos com cartões crescem 8% no primeiro semestre de 2026 e movimentam R$ 2,3 trilhões

19/08/2026

Uso de pagamentos por aproximação avança e já representa 76,2% das transações presenciais

As transações com cartões de crédito, débito e pré-pagos somaram R$ 2,3 trilhões no

primeiro semestre de 2026, registrando crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados da Abecs, associação que representa o setor de meios eletrônicos de pagamento.

Na análise por modalidade, o cartão de crédito liderou tanto em volume quanto em crescimento, movimentando R$1,7 trilhão, alta de 12,1%. O cartão de débito somou R$481,6 bilhões (-1,8%), enquanto o cartão pré-pago registrou R$191,1 bilhões, alta de 0,5%.

Quantidade de transações

No primeiro semestre de 2026, foram realizadas 23,9 bilhões de transações com cartões, crescimento de 3% em comparação com o mesmo período de 2025. Em média, os brasileiros realizaram 133 milhões de pagamentos por dia.

O cartão de crédito também liderou em número de operações, com 11,1 bilhões de transações (+7,4%), seguido pelo débito, com 8,1 bilhões (-0,8%), e pelo pré-pago, com 4,6 bilhões (-0,3%).

Pagamentos por aproximação seguem em expansão

Os pagamentos por aproximação (tecnologia NFC) continuam em forte crescimento no País. No primeiro semestre de 2026, a modalidade movimentou R$1 trilhão, alta de 18,5% em relação ao mesmo período de 2025.

A tecnologia já representa 76,2% das transações presenciais com cartões no Brasil, consolidando-se como a inovação de maior capilaridade. Além disso, pesquisa da Abecs com o Datafolha indica que 73% dos brasileiros utilizam pagamentos por aproximação.

Entre os principais benefícios apontados pelos consumidores estão a comodidade e a rapidez, citadas por 91% dos entrevistados.

O cartão físico segue sendo o principal dispositivo utilizado para pagamentos por aproximação, adotado por 65% dos usuários, seguido pelo celular (41%) e pelos relógios inteligentes (2%).

Compras não presenciais e pagamentos recorrentes

As compras realizadas pela internet e outros canais remotos movimentaram R$633 bilhões no primeiro semestre, com crescimento de 18%. O cartão de crédito respondeu por R$614,3 bilhões (+18,3%), enquanto o débito movimentou R$9,8 bilhões (+9,8%) e o pré-pago R$8,8 bilhões (+4%).

Na comparação com o primeiro semestre de 2019, período anterior à pandemia, o uso do débito em compras não presenciais cresceu 613,5%, enquanto o crédito avançou 318,7%.

Dentro desse ecossistema digital, os pagamentos recorrentes — modelo de cobrança automática para serviços contínuos e assinaturas, como streamings, academias, clubes de assinatura e softwares — somaram R$86,9 bilhões, crescimento de 34% na comparação anual.

O volume dessa modalidade é impulsionado majoritariamente pelo cartão de crédito, que responde por R$82,9 bilhões do total (+33,7%), enquanto o débito movimentou R$2,1 bilhões (+46,1%) e o pré-pago R$1,8 bilhão (+28,3%).

Tecnologia Tap on Phone

A modalidade Tap on Phone, que permite que smartphones e tablets aceitem pagamentos por aproximação diretamente, funcionando como terminais de venda sem a necessidade de maquininhas tradicionais, movimentou R$53,6 bilhões no primeiro semestre, com crescimento de 79,2%.

Por modalidade, o crédito respondeu por R$50 bilhões (+79,8%), o débito por R$2,5 bilhões (+74%) e o pré-pago por R$1,1 bilhão (+62,4%).

Em dois anos, o crescimento acumulado dessa tecnologia chegou a 471,3%, reforçando seu papel na digitalização de pequenos empreendedores e na democratização da aceitação de pagamentos eletrônicos.

Parcelado sem juros (PSJ)

Sobre a estrutura das compras no cartão de crédito, o parcelado sem juros (PSJ) — instrumento fundamental para o financiamento do consumo — representou 43% do valor total transacionado na modalidade, equivalente a R$798,6 bilhões.

As compras à vista responderam por 57% do valor movimentado no crédito, totalizando aproximadamente R$1 trilhão.

Entre as compras parceladas sem juros, 43,8% são realizadas entre 2 e 4 parcelas, enquanto 19,4% ocorrem entre 5 e 6 parcelas. As operações acima de 12 parcelas representam apenas 2,3% do total.

O PSJ também está presente em 59% das transações presenciais, 58% das compras não presenciais e 37% das transações realizadas por aproximação.

Gastos no exterior (cross border)

O uso de cartões por brasileiros no exterior totalizou US$11,3 bilhões (R$58,3 bilhões) no primeiro semestre de 2026, uma expansão de 37,1% em dólares e de 23% em reais.

Por modalidade, o cartão de crédito respondeu por R$44,9 bilhões (+22,5%), o débito por R$6,7 bilhões (+89,6%) e o pré-pago por R$6,7 bilhões (-7,3%).

A Europa foi o destino com maior volume de gastos, concentrando R$25,5 bilhões (+18,1%), seguida pelos Estados Unidos, com R$19,9 bilhões (+20,1%). Na sequência aparecem as Américas (sem EUA), com R$ 6 bilhões (+23,6%), Ásia, com R$ 3,5 bilhões (+35,2%), Oceania, com R$ 2,9 bilhões (+108,2%), e África, com R$ 409 milhões (+22,2%).

Uso do cartão por setores

Os dados apontam que a penetração dos meios eletrônicos de pagamento continua avançando em diversas categorias.

No varejo, o uso do cartão teve crescimento mais acentuado nos segmentos de eletrônicos e eletrodomésticos (+20,4%), autopeças (+11,9%), roupas, sapatos e acessórios (+10,5%) e Móveis/Construção (+10%).

No setor de serviços, a expansão do uso dos cartões foi liderada por pagamentos a profissionais liberais (+20,9%), serviços médicos (+17,3%), educação básica (+16,7%) e serviços médicos (+16%).

Análise regional

O Sudeste liderou o volume transacionado com cartões, com R$1,1 trilhão e participação de 58,2% do total nacional. Na sequência aparecem Sul, com R$300,2 bilhões (15,5%), Nordeste, com R$261,9 bilhões (13,5%), Centro-Oeste, com R$164 bilhões (8,5%) e Norte, com R$82,5 bilhões (4,3%).

Cartão de crédito e endividamento

Dados da Pesquisa Abecs-Datafolha mostram que 85% dos brasileiros pagam a fatura do cartão de crédito em dia, quitando o valor total até o vencimento.

Além disso, 74,7% do saldo da carteira de cartão de crédito corresponde a operações sem juros. O tempo médio de permanência do consumidor no rotativo do cartão é de 14,1 dias.

por Panorama