Pagar com cartão virou algo tão natural que quase passa despercebido. O cartão já faz parte do dia a dia do consumidor, seja aproximando o plástico ou o celular da maquininha, fazendo uma autenticação por biometria ou fechando uma compra online em poucos cliques.
Mas nem sempre foi assim. Quando a Abecs foi fundada, em 15 de setembro de 1971, os cartões ainda eram coisa de um público restrito – bem longe de serem o instrumento de massa que são hoje. Naquele momento, a Associação reunia apenas sete empresas fundadoras – todas administradoras de cartão. Nesses 55 anos, a Associação organizou o setor, representou seus associados e ajudou a construir as regras que transformaram os meios eletrônicos de pagamento no mercado de trilhões de reais que movimenta a economia brasileira atualmente.
Hoje, a Abecs reúne 85 associados: 40 emissores de cartão (80% desse segmento), 26 credenciadoras (90% do segmento) e as 6 bandeiras do mercado (100%), além de subadquirentes, processadoras, gateways, cooperativas, fintechs, marketplaces, facilitadoras de pagamento e fabricantes de hardware e software.
E o dia a dia da Associação acompanha o ritmo dessa indústria, que movimenta trilhões de reais e responde por cerca de um terço do PIB brasileiro: só em 2025, a Associação promoveu 577 reuniões, com mais de 17 mil participantes debatendo os rumos do setor. “Tamanha representatividade só é possível graças a um trabalho efetivo da Associação para atender esse grupo de associados tão extenso, conduzir discussões internas e contatos em níveis públicos e privados e, em especial, para garantir a participação da Abecs nas mais importantes agendas da economia brasileira”, afirma Giancarlo Greco, presidente da Abecs.
Em cada mudança importante, cada avanço tecnológico e cada nova regra do setor de cartões nos últimos 55 anos, a Abecs esteve presente. A seguir, você relembra alguns desses momentos.
Porta-voz da indústria de cartões
A chegada do chip nos cartões é um bom exemplo: no início dos anos 1990, com o sistema chip e senha, as transações por cartão no Brasil deram um salto em segurança. A Abecs reuniu os agentes do mercado, ajudou a alinhar os padrões técnicos e garantiu que a tecnologia chegasse a todo o país, além de manter o diálogo entre a indústria e o órgão regulador.
Em 2010, veio outra mudança importante acompanhada de perto pela Associação: o fim da exclusividade entre bandeiras e credenciadoras. Essa mudança abriu caminho para um segmento de adquirência mais competitivo, inovador e atento à diversidade econômica do Brasil.
Ainda nessa época, a Abecs representou o setor junto ao poder público, mantendo o diálogo técnico entre mercado e governo na construção do marco regulatório, que chegou em 2013 com a Lei 12.865. Temas como interoperabilidade, livre concorrência e segurança estiveram “na mesa” nessa construção jurídica – pilares que, desde então, orientam tanto o trabalho da Abecs quanto o desenvolvimento da própria indústria de meios eletrônicos de pagamento.
Para Ricardo de Barros Vieira, vice-presidente da Abecs, “a Associação só existe por tanto tempo e tem atuação tão presente porque é útil e importante para todo o ecossistema de meios eletrônicos de pagamento”.
Regulação e autorregulação
Desde o marco regulatório de 2013, o diálogo com os órgãos reguladores ficou ainda mais forte e se tornou uma das principais frentes de atuação da Abecs, sempre buscando aprimorar o setor e defender os interesses de seus associados.
Em algumas das regulamentações mais importantes da indústria nos últimos anos, a Abecs esteve presente, dialogando e cooperando com entidades como o Banco Central, o Conselho Monetário Nacional e o Congresso Nacional. A centralização de recebíveis, em 2021, a estrutura de governança do open finance, a Resolução 522 (que aperfeiçoa a gestão de riscos e garantias), as novas regras do rotativo, em vigor desde 2024, e o desenho do modelo de split payment para a Reforma Tributária estão entre os principais exemplos.
Além das leis oficiais, a Abecs mantém um sistema próprio de autorregulação. Desde 2009, 34 normativos foram lançados, tratando de temas que vão do registro de ocorrências de consumidores à concessão responsável de crédito, passando por compras de alto valor no débito, acessibilidade a deficientes visuais e certificação de pinpads. Um dos normativos mais recentes trata dos padrões mínimos para a implementação do trilho voucher.
No centro da criação do trilho voucher. O trilho voucher é a nova infraestrutura criada para dar eficiência operacional e segurança jurídica à abertura do mercado de benefícios, e marca um novo momento para o segmento. Sobre a criação dessa tecnologia, Giancarlo Greco, presidente da Abecs, afirma: “o formato e a implementação foram desenvolvidos dentro da Abecs, com a participação ativa de seus integrantes”.
Foco em segurança
Garantir pagamentos cada vez mais seguros é um dos pilares dos meios eletrônicos de pagamento e prioridade para a Abecs, que possui um fórum permanente sobre o tema, composto por bandeiras, emissores, credenciadoras e demais empresas do ecossistema de cartões. O fórum reúne mais de cem profissionais todos os meses para discutir processos de segurança e trocar boas práticas, sempre pensando no setor como um todo e, principalmente, em quem usa o cartão: consumidores e comércio.
Mais recentemente, entre tantas iniciativas, a Abecs colocou no ar, em 2024, um sistema de gestão centralizada de fraudes e irregularidades, a Watchlist, que conta com canal de denúncias e investiga irregularidades no uso dos cartões.
Os esforços da Associação para reduzir riscos e combater a lavagem de dinheiro também resultaram em outras iniciativas, como a definição de requisitos mínimos de segurança para terminais de pagamento e a validação de laboratórios especializados na certificação desses equipamentos e softwares.
Nessa mesma frente, a Abecs lançou em 2024 o Selo de Conformidade Abecs, uma certificação única, obtida em um só processo de auditoria e válida para todo o mercado – um ganho real de eficiência para o setor.
Presença ativa nas inovações do setor. Nos últimos anos, com a digitalização acelerada dos hábitos de consumo, a Abecs tem atuado de forma cada vez mais ampla, apoiando o avanço tecnológico do setor. A Associação esteve à frente da definição do valor máximo para que um pagamento por aproximação seja feito sem senha, além de reunir as conversas, os padrões técnicos e os entendimentos comuns em torno do crediário no cartão, pagamentos recorrentes, Click to Pay, débito online e pagamento de pedágio e transporte público com cartão.
Maior base de dados da indústria de cartões
Além da atuação institucional, a Abecs reúne e divulga informações sobre o desempenho do setor, com indicadores e pesquisas de consumo. Com o tempo, a Associação se tornou a maior base de informações dessa indústria, responsável por sistemas de dados importantes, como o Monitor Bandeiras e o Monitor Fraudes.
Essa inteligência de mercado também aparece nos eventos que a Abecs promove, como fóruns, webinários e o Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamento – CMEP.
Em 2026, o CMEP chegou à sua 19a edição como o maior evento sobre meios eletrônicos de pagamento da América Latina, reunindo a liderança do setor para debater as novidades e o futuro dos cartões. Greco acrescenta que “o CMEP tem contado com a participação de vários países, transformando-se em uma agenda fundamental para todos que fazem parte e acompanham a evolução do setor”.
Educar para o uso responsável do cartão. Há mais de 15 anos, a educação financeira também faz parte do dia a dia da Associação. Já foram distribuídas mais de 2,5 milhões de cartilhas educativas em parceria com entidades de defesa do consumidor, além de uma série de cursos dados a comunidades de baixa renda. Nas redes sociais, essa iniciativa continua com a página Me Conta no Facebook, com mais de 630 mil seguidores.
Não é por acaso que a história da Abecs se confunde com a história do próprio mercado de meios eletrônicos de pagamento.
São 55 anos de governança estruturada, conhecimento técnico e ações coordenadas, envolvendo todos os elos da cadeia de pagamentos, sempre em busca do aperfeiçoamento contínuo dessa indústria.
Greco resume o compromisso da Associação desde sua fundação até hoje: “em toda e qualquer jornada de evolução dos meios eletrônicos de pagamento, o principal objetivo da Abecs é garantir uma implementação em escala que seja segura, garantindo o máximo de padronização aos participantes e promovendo a inclusão financeira da população brasileira”.
Por Panorama